Recontextualização e Transposição Didática - Introdução à Leitura de Basil Bernstein e Yves Chevallard
Miriam Soares Leite (saiba mais)
As intensas discussões sobre a problemática do conhecimento escolar que têm atravessado o campo do currículo e da didática colocam para o professor inúmeras questões, dado que, no espaço de relativa autonomia da sala de aula, esse profissional cotidianamente realiza importantes opções que configuram o currículo efetivamente praticado. No entanto, com relação a essa temática, até que ponto sua formação favorece o necessário diálogo entre o saber que constrói a partir da sua prática e aquele continuamente aprofundado nas instâncias acadêmicas?
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A autora apresenta, em linguagem clara e objetiva, uma introdução à leitura de dois autores centrais para essa discussão: Basil Bernstein, sociólogo inglês que se ocupa de questões de linguagem e de controle simbólico relativas aos processos de constituição do conhecimento escolar, e Yves Chevallard, didata francês que aborda esses processos com enfoque epistemológico.
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Trata-se de um texto que oferece uma importante contribuição à pesquisa e à formação de professores, tanto no que diz respeito à formação inicial quanto continuada.
Vera Maria Candau
Especificações
- Nº de pág.: 96
- ISBN: 978-85-86305-45-0
- Edição: 1ª - 2007
- Sumário:
Prefácio ..... 5
Vera Maria Candau
Apresentação ..... 7
Introdução - Brevíssima contextualização da discussão do conhecimento escolar ..... 11
Capítulo 1 – Basil Bernstein e o conceito de recontextualização ..... 19
Capítulo 2 – Yves Chevallard e o conceito de transposição didática ..... 43
Capítulo 3 – Potencialidades e especificidades dos conceitos de recontextualização e de transposição didática ..... 69
Bibliografia ..... 80
Tabelas ..... 89
Notas de tradução ..... 92
- Apresentação:
Prefácio
As intensas discussões sobre a problemática do conhecimento escolar que têm atravessado o campo do currículo e da didática colocam para o professor inúmeras questões, dado que, no espaço de relativa autonomia da sala de aula, esse profissional cotidianamente realiza importantes opções que configuram o currículo efetivamente praticado. No entanto, com relação a essa temática, até que ponto sua formação favorece o necessário diálogo entre o saber que constrói a partir da sua prática e aquele continuamente aprofundado nas instâncias acadêmicas?
O levantamento realizado por Miriam Leite, na pesquisa que deu origem a esta publicação, mostra que um importante aspecto dessa questão ainda está pouco problematizado na academia: os processos de constituição do conhecimento escolar. Para além das abordagens genéricas sobre a seleção curricular, percebe-se tal lacuna, que se reflete na ausência dessa reflexão nos cursos de formação dos professores.
Aí reside a relevância do texto que se segue. A autora apresenta, em linguagem clara e objetiva, uma introdução à leitura de dois autores centrais para essa discussão: Basil Bernstein, sociólogo inglês que se ocupa de questões de linguagem e de controle simbólico relativas aos processos de constituição do conhecimento escolar, e Yves Chevallard, didata francês que aborda esses processos com enfoque epistemológico. Além do tema tratado, esses autores têm em comum a escrita usualmente considerada de difícil leitura e o número restrito de publicações em língua portuguesa. Centrando nos conceitos de recontextualização e de transposição didática, propostos por Bernstein e por Chevallard, respectivamente, Miriam situa em linhas gerais a obra desses teóricos, compara suas proposições para melhor explicitar suas especificidades e discute as polêmicas que cercam seus escritos. Além disso, no capítulo de Introdução, sintetiza a trajetória da discussão teórica da temática do conhecimento escolar no campo educação brasileira, apontando as principais obras e autores que tratam dessas questões. Proporciona, dessa forma, um texto denso, porém acessível, que inicia o leitor nos estudos sobre a constituição do conhecimento escolar e contribui para a incorporação desse tema na formação inicial e continuada do professor.
Por outro lado, o propósito de tornar mais acessíveis as formulações desses autores não implicou um menor rigor analítico, o que favorece sua apropriação em termos mais simples, porém não simplistas, assim como também confere a este material interesse potencial para a pesquisa acadêmica. Embora significativamente diferentes entre si, ambos os modelos teóricos desenvolvidos por Bernstein e por Chevallard oferecem interessantes possibilidades de aproximação deste ainda relativamente pouco explorado objeto de investigação. Enquanto o sociólogo inglês pensa o conhecimento escolar priorizando a dimensão lingüística e as questões de controle simbólico que se colocam nas relações pedagógicas escolares, o didata francês afirma a especificidade epistemológica do conhecimento escolar, abrindo caminho para pesquisas que contribuam para um melhor entendimento dessa especificidade. Trata-se de enfoques distintos, porém de igual relevância para a pesquisa educacional.
Gostaria também de salientar, tendo presente a parceria sistemática que tenho mantido com a autora nos últimos anos, sua especial capacidade de articular habilidade analítica e construção de sínteses consistentes e rigorosas, além de articular sua ampla experiência docente com uma decidida vocação de pesquisadora. Trata-se de um texto que oferece uma importante contribuição à pesquisa e à formação de professores, tanto no que diz respeito à formação inicial quanto continuada.
Vera Maria Candau
