O trabalho docente dos professores secundários na atualidade: intersecções, particularidades e perspectivas
Gisela do Carmo Lourencetti (saiba mais)
Este livro constitui uma importante contribuição para se compreender como os professores secundários têm vivenciado as mudanças decorrentes das reformas educacionais empreendidas pelo governo do estado de São Paulo na década de 1990.
Trata-se de um trabalho que, ao procurar investigar o trabalho docente tomando como ponto de partida as políticas públicas, oferece uma discussão bastante apropriada acerca das intersecções existentes entre estas duas dimensões da atividade educativa.
Especificações
- Nº de pág.: 168
- ISBN: 978-85-86305-53-5
- Edição: 1ª - 2008
- Sumário:
APRESENTAÇÃO ..... 5
A EDUCAÇÃO ESCOLAR HOJE, OS PROFESSORES E O TRABALHO DOCENTE ..... 13
O CAMINHO METODOLÓGICO ..... 55
A VOZ DOS PROFESSORES ..... 65
O PROCESSO DE INTENSIFICAÇÃO DO TRABALHO DOCENTE ..... 115
CONSIDERAÇÕES FINAIS ..... 135
NOTAS ..... 153
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..... 155
- Apresentação:
Escrever a apresentação deste livro é, antes de tudo, recuperar minha própria trajetória de formação em pesquisa. Apesar dos resultados de pesquisa educacional estarem presentes em minha sala de aula durante a graduação, até o 3o ano do curso de Pedagogia não tinha noção de como uma pesquisa em educação era produzida. Talvez por pertencer ao curso noturno e ser uma estudante trabalhadora, não era convidada para participar de nenhum projeto.
Naquela época, trabalhava em uma escola pública de 1o grau, no setor administrativo – uma escola na esquina da minha casa, onde havia estudado da 1ª a 8a séries. Em 1993 o curso noturno (5a a 8a séries) estava passando por problemas muito sérios. Ameaçando fecha-lo, a supervisora de Ensino sugeriu que a escola procurasse o Núcleo de Ensino da UNESP. Em uma reunião com o corpo docente da escola e uma professora da UNESP – Profa Dra Maria Helena Frem Dias-da-Silva - decidiu-se que a realização de uma pesquisa poderia contribuir para o enfrentamento da situação e seria também uma forma possível de colaboração Universidade/Rede.
Começava aí o projeto "SOS Escola Noturna: uma tentativa de intervenção". Pelo fato de ser funcionária da escola, aluna da faculdade e da professora, envolvi-me muito com o projeto. Com outras 4 colegas de graduação realizamos entrevistas com alunos, professores e membros do staff escolar. Além disso, foi feita análise do livro-ponto docente visando a obter dados sobre a rotatividade e itinerância dos professores secundários. Foram analisadas também as cadernetas dos professores de 5a a 8a séries, buscando dados reais sobre evasão e repetência. Todo esse levantamento de dados bem como a realização das entrevistas com os professores trouxeram-me uma aproximação com o cotidiano dos professores secundários , objeto de estudo pouco presente no curso de Pedagogia. Os resultados dessa pesquisa foram apresentados no V Congresso de Iniciação Científica da UNESP já em 1993. Nesse Congresso apresentamos também um trabalho que se intitulou "Fazer pesquisa estudando no noturno?", que problematizava o parco acesso dos alunos trabalhadores nas atividades de pesquisa (LOURENCETTI; DIAS-DA-SILVA, 1993).
[...]
* * *
"Nesta pesquisa, procurei investigar se as reformas educacionais implantadas nas escolas públicas paulistas no final dos anos 1990 acirram ou não a crise da profissão docente e, além disso, as implicações de tais reformas para a cultura docente dos professores secundários. A construção do referencial teórico-metodológico levou-me a fazer análises sob uma perspectiva interna à escola e, especialmente, ao trabalho docente, buscando conhecer e interpretar esse cotidiano escolar. Para isso, foram feitas entrevistas em profundidade (ZAGO, 2003), com dez professores, permitindo-lhes expressar suas opiniões, seus julgamentos, valores em que acreditam. Analisar essas vozes e esse cotidiano escolar mostra-se decisivo, pois, para se ter uma escola de qualidade, é preciso compreendê-la para, conseqüentemente, transformá-la."
