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EXPERIÊNCIAS PEDAGÓGICAS COM O ENSINO E FORMAÇÃO DOCENTE: desafios contemporâneos

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EXPERIÊNCIAS PEDAGÓGICAS COM O ENSINO E FORMAÇÃO DOCENTE: desafios contemporâneos

Diana Carvalho de Carvalho; Ilana Laterman; Leandro Belinaso Guimarães & Nelita Bortolotto - orgs. (saiba mais)

Este livro resulta do trabalho com a formação de professores/as de um conjunto de pesquisadores/as vinculados/as à Universidade Federal de Santa Catarina. Nele, você, caro/a leitor/a , encontrará discussões atualizadas sobre as relações entre: educação e mídia, educação e subjetividades contemporâneas, educação e diversidade. Esperamos que esta coletânea deslize por entre seus dedos interrompendo algumas de suas cristalizadas certezas, permitindo-o/a incorrer pelas multiplicidades impensadas da construção de outras tantas educações em diferentes campos culturais.

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Este livro deve estar pulsando em suas mãos. Ele é uma granada de evidências contra a imagem da "escola" como lugar sempre igual, abandonado irremediavelmente à convenção e à repetição. Em sua variedade, a coleção de artigos aqui reunida brota da necessidade política de afirmar e dar a ver a riqueza do que se faz no campo da formação de professores em nosso país, e particularmente no Departamento de Metodologia de Ensino da Universidade Federal de Santa Catarina.
Seus autores são professores, professoras e estudantes do Centro de Educação da UFSC e seus colaboradores que, em múltiplas vozes, abordam de formas originais alguns dos temas atualmente mais cruciais em nosso campo, emergentes desta primeira década do século.
Alguns desses temas se referem a uma educação da sensibilidade: o cinema na escola, o potencial pedagógico dos videogames, as mídias e a educação física, a desestabilização dos estereótipos de gênero na educação infantil, as oficinas de arte como espaço para a estética na formação de educadores. Outros artigos examinam a busca de situações pedagógicas – exposições escolares, a escrita do pesquisador – que viabilizem a experiência, mais que a informação fugaz ou a prescrição determinante.
A referência a práticas educativo-culturais locais ilustra de modo singular a vitalidade de reflexão teórica que permeia os debates aqui operados, também em suas dimensões agudamente políticas. É isso que ocorre, por exemplo, em um relato da conquista de espaço para o estudo das relações étnico-raciais no Centro de Educação da UFSC, e no artigo que aponta a contribuição das religiões afro-brasileiras da Grande Florianópolis para uma educação ambiental profunda e fecunda.
Embora todos os textos aqui reunidos aliem pensamento reflexivo às demandas da circunstância, alguns, de cunho mais teórico, parecem enunciar buscas metodológicas presentes nos demais trabalhos, como a aproximação ao objeto de estudo (no caso, a literatura moderna) enquanto "um caminho que se faz no meio do caminho"; ou como o recurso à ética espinoziana para orientar a constituição de espaços pedagógicos capazes, sobretudo de inspirar encontros, potência de agir, movimento.
Ao pano de fundo das pequenas e grandes tragédias brasileiras ligadas à educação, este livro acrescenta dados de complexidade e autoria, testemunhos de um vigor coletivo da produção intelectual da universidade pública que às vezes permanece invisível até mesmo para nós que fazemos parte dela, tão atarefados estamos. Estes textos evidenciam o compromisso radical dos educadores ligados ao MEN com a sociedade e com a cultura. Cada um de nós, em seus espaços de atuação, em suas redes de pesquisa e partilha, acha-se intensamente implicado nos desafios da sociedade brasileira que dizem respeito à educação.
E este livro candente, ao mesmo tempo diverso e coerente, todo marcado pelos acidentes da topografia cultural contemporânea e pelos incidentes de percursos vivos e rigorosos de intervenção e pensamento, fica como um sopro de forte vento sul para ajudar a ir adiante o barco – o mesmo barco – em que estamos.

Gilka Girardello
Professora do Departamento de Metodologia da UFSC


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Esta edição recebeu apoio da FAPEU - Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária / UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina.

Especificações

  • Nº de pág.: 204
  • ISBN: 978-85-86305-76-4
  • Edição: 1ª - 2009
  • Sumário:

    EXPERIÊNCIAS PEDAGÓGICAS: POROSIDADES ENTRE MUROS ESCOLARES ..... 5
    Leandro Belinaso Guimarães
    Diana Carvalho de Carvalho
    Ilana Laterman
    Nelita Bortolotto


    SEÇÃO I – EDUCAÇÃO E MÍDIA

    O AUDIOVISUAL NO ESTÁGIO: ENTRE ENSINO E APRENDIZAGEM ..... 15
    Monica Fantin

    AS NARRATIVAS DOS JOGOS ELETRÔNICOS E SUAS POSSIBILIDADES EDUCACIONAIS ..... 35
    Cristiano Moreira
    Dulce Márcia Cruz

    A FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA E A CULTURA DAS TECNOLOGIAS COMUNICACIONAIS ..... 51
    Cristiano Mezzaroba
    Diego de Sousa Mendes
    Fabio Machado Pinto

    DIVERSIFICANDO PAPÉIS: A SUTILEZA DAS QUESTÕES DE GÊNERO NA EDUCAÇÃO INFANTIL ..... 77
    Gizele Mingo Justi
    Patrícia Alves Godinho


    SEÇÃO II – EDUCAÇÃO E SUBJETIVIDADES CONTEMPORÂNEAS

    PRÁTICAS PEDAGÓGICAS EM EXPOSIÇÃO: INFORMAÇÕES E/OU EXPERIÊNCIAS? ..... 93
    Leandro Belinaso Guimarães
    Franciele Favero

    QUAL A PERGUNTA PARA SE CHEGAR À EXPERIÊNCIA DA EXPERIÊNCIA? ..... 101
    Renata Ferreira da Silva
    Rodrigo Gonçalves dos Santos
    Roselete Fagundes de Aviz de Souza

    ÉTICA E RAZÃO METODOLÓGICA ..... 113
    Wladimir Antônio da Costa Garcia

    LITERATURA E MÉTODO: ENSINO E PESQUISA ..... 129
    Susana Celia Leandro Scramim


    SEÇÃO III – EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE: QUESTÕES ÉTNICAS, ESTÉTICAS E RELIGIOSIDADE

    RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS NO BRASIL E FORMAÇÃO ACADÊMICA - UMA EXPERIÊNCIA DE DEBATE ..... 145
    Joana Célia dos Passos
    José Nilton de Almeida
    Vânia Beatriz Monteiro da Silva

    A DIMENSÃO ESTÉTICA NA FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE EDUCAÇÃO INFANTIL ..... 169
    Luciana Esmeralda Ostetto
    Vânia Maria Broering
    Eloisa Helena Teixeira Fortkamp

    EDUCAÇÃO AMBIENTAL E ESPIRITUALIDADE: A RELAÇÃO ENSINO-APRENDIZAGEM NAS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS ..... 181
    Cristiana de Azevedo Tramonte


    ORGANIZADORES E AUTORES ..... 197


  • Apresentação:

    EXPERIÊNCIAS PEDAGÓGICAS: POROSIDADES ENTRE MUROS ESCOLARES


    A escola tem ocupado um lugar importante nas muitas reflexões e ações desencadeadas em processos formativos tanto de professores, em lapidação muito inicial, como daqueles que já labutam nos tempos e nos espaços do aprender ou do ensinar.
    Algumas vezes, a escola nos parece pálida, silenciosa, fechada e outras tantas se mostra viva, vibrante, colorida de experimentações criadas e construídas por seus agentes, sua comunidade. Quantas construções e experiências subjazem por entre os muros escolares? Quais lentes serão precisas para vê-las repletas de um denso fazer curricular cotidiano – pouco narrável nas visibilidades e enunciações propiciadas pelas avaliações oficiais e universais? A escola se configura por entre muros fechados, mas coloridamente repletos de poros, nos quais podemos enxergar uma palidez incansavelmente, ao mesmo tempo, vibrante e um silêncio, aguçadamente, vivo. Se em alguns momentos, os muros escolares nos parecem demasiadamente fechados, como se tivéssemos que espiar por sobre eles para ver as experiências que estariam em seu interior ocorrendo, outras vezes parecem escancarados ao escrutínio de muitos que tudo tem a dizer sobre as experiências pedagógicas pelas escolas suscitadas. Outras tantas vezes "didatizamos" práticas comuns do nosso dia a dia e contribuímos também com nossas ações para a construção constante e ininterrupta de um modo da escola fazer-se.
    Entretanto, para aqueles que se debruçam, mais especificamente por meio de pesquisas acadêmicas, no campo da educação, falar em experiências pedagógicas também é teorizar sobre inúmeros outros espaços e tempos pedagógicos das nossas sociedades. Espaços e tempos estes que também atravessam, em alguma medida, a porosidade dos muros escolares, pois sujeitos que perambulam pelos corredores e pelas salas de aula também são subjetivados por meio de práticas estabelecidas em muitas outras instâncias sociais. Este livro versa, sobretudo, sobre uma ampliação daquilo que se inclui sob o guarda-chuva da educação; alargamento que assistimos (não passivamente) configurar-se nesse mundo atual, em que autores como Zygmunt Bauman (2001) tem nomeado como líquido, fluido, poroso entre antigos muros que se desmancham (os escolares inclusive?) e entre outros novos que insistem em se erguer (veja, por exemplo, a vigilância crescente e incisiva com relação à circulação de pessoas, de mensagens e de objetos em um mundo cada vez mais integrado pelas redes virtuais da internet, pelos meios de transporte, pelas circulações financeiras quase sem limites). Enfim, habitamos tempos e espaços em que somos tomados, cotidianamente, pelo turbilhão da cultura, entendida como instituidora dos modos como nos fazemos, ou melhor, como construtora daquilo que pensamos estar sendo e o fazendo efetivamente. Como argumenta Marcos Reigota (1999, p. 27):
    Com a pós-modernidade, a noção de cultura foi ampliada, não sendo mais entendida como resultado de um longo processo de elaboração, sofisticação e erudição de indivíduos, grupos sociais, ou instituições, mas sim como um processo ágil de ‘deglutição’ cotidiana de inúmeras referências.

    E, nesse estado da cultura atual, a educação se vê combalida a incorporar em seu bojo de investigações e pesquisas não mais somente o "ensino escolar de" uma área disciplinar ou interdisciplinar do currículo. Passa a abarcar como também pedagógicas inúmeras instâncias culturais das nossas sociedades (o cinema, a televisão, os cursos de formação, a literatura) e a se ocupar, cada vez mais, com questões culturais amplas (as relações de gênero, de etnia, de raça, de religiosidade) e, ainda, com práticas muito atuais (as brincadeiras através de jogos eletrônicos, as presenças das tecnologias da informação no ensino). Como destacam Gilka Girardello e Monica Fantin (2008, p. 8):
    A vida das crianças de hoje, em toda sua singularidade cultural, parece às vezes um matagal cheio de novos desafios, que não se pode atravessar seguindo apenas as antigas estradas. Não há mapas nem placas que garantam as direções, já que os mapas existentes se referem a um tempo muito diferente, quando não havia internet nem celulares, nem a pulverização das formas culturais que povoam o cotidiano das crianças de hoje.

    Nesse modo atualizado do viver de crianças, adultos e jovens, um "educativo" ampliado atravessa porosamente diferentes muros: da escola, da formação docente, da mídia, das metodologias de ensino. Para discutí-lo, acreditamos haver inúmeras possibilidades. Nessa coletânea, convidamos, sobretudo, colegas do Departamento de Metodologia do Ensino (MEN), do Centro das Ciências da Educação (CED), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) para colaborar com suas reflexões acerca da educação em diferentes campos culturais.
    A Coordenadoria de Estágios do MEN, responsável pela organização desse livro, destaca-se como um lugar de articulação entre as várias áreas da licenciatura, formadoras de professores/as e pedagogos/as na UFSC. Seu diferencial tem sido configurar-se como um setor propositivo e acolhedor de debates (outros livros já foram publicados com o acento da discussão no ensino) e de encontros (com repercussão positiva nas redes de ensino), que buscam refletir os variados aspectos que estão em jogo na constituição da docência. A coletânea que você tem em mãos, caro/a leitor/a, explicita que este não tem se produzido como um lugar em harmonia (sem conflitos), liso (sem os estriamentos das burocracias cotidianas) e fácil (sem as dificuldades inerentes aos trabalhos que buscam mover-se entre os dissensos). De qualquer forma, reside nestes aspectos a riqueza que somente um trabalho multifacetado poderia, quem sabe, gerar.
    Essa publicação foi financiada pelo Programa PRODOCÊNCIA, do Ministério da Educação, e sua organização avaliada no âmbito desse Edital. Acreditamos que este livro contribua para o adensamento das reflexões sobre o papel da docência nestes tempos e espaços ampliados da educação. Na primeira seção da coletânea, nomeada "Educação e mídia", organizamos os quatro primeiros capítulos desse livro. Para ela, convidamos autores/as que enfocam as articulações entre educação e mídia a partir de diferentes dimensões, pois não se trata apenas de pensar a mídia como mais um espaço educativo, mas também verificar os cruzamentos dos meios digitais (das tecnologias da informação, dos audiovisuais, dos jogos eletrônicos) no ensino, inclusive, escolar. O artigo "O audiovisual no estágio: entre ensino e aprendizagem", de Monica Fantin, brinda-nos com a explicitação de um percurso educativo constituído a partir de artefatos audiovisuais. Já o texto de Cristiano Moreira e Dulce Márcia Cruz, intitulado "As narrativas dos jogos eletrônicos e suas possibilidades educacionais" mostra como jogos virtuais podem ser vistos em processos educativos. No trabalho "A formação do professor de educação física e a cultura das tecnologias comunicacionais", Cristiano Mezzaroba, Diego Mendes e Fábio Machado Pinto refletem sobre as tecnologias da comunicação na formação docente. Por fim, e fechando esse primeiro bloco da nossa coletânea, Gizele Mingo Justi e Patrícia Godinho argumentam no artigo "Diversificando papéis: a sutileza das questões de gênero na Educação Infantil", que propostas de ensino constroem papéis distintos aos homens e às mulheres, e tais produções, conectam-se com aquilo que aprendemos sobre gênero, lendo artefatos midiáticos.
    Para uma segunda seção do livro, intitulada "Educação e subjetividades contemporâneas", consideramos pertinente convidar colegas para refletir a respeito da noção de experiência – daquilo, como nos ensina Jorge Larrosa (2002), que nos passa, que nos acontece, que nos toca (não do que se passou, do que já aconteceu ou que, porventura, nos deliberadamente tocou).
    A experiência, a possibilidade de que algo nos aconteça ou nos toque, requer um gesto de interrupção [...]; requer parar para pensar, parar para olhar, parar para escutar, pensar mais devagar, parar para sentir, sentir mais devagar, demorar-se nos detalhes, suspender o juízo, suspender a vontade, suspender o automatismo da ação, cultivar a atenção e a delicadeza... (LARROSA, 2002, p. 24).

    Nesse alargamento do "educativo", para além dos muros escolares e do "ensino de" uma disciplina, as experiências pedagógicas passam a adquirir inúmeras outras significações, para além, quiçá, de ensinar e de aprender conteúdos, pois estão implicadas em processos de subjetivação. Para adensar tal reflexão, os artigos de Leandro Belinaso Guimarães e Franciele Favero chamado "Práticas Pedagógicas em exposição: informações e/ou experiências?" e de Renata Ferreira da Silva, Rodrigo Gonçalves dos Santos e Roselete Fagundes de Aviz de Souza, intitulado "Qual a pergunta para se chegar à experiência da experiência?" buscam tecer argumentos em torno dos sentidos da noção de experiência, nas pedagogias a que nos articulamos nessa circularidade cultural em que nos conectamos e nos constituímos. Na sequência da segunda seção do livro, o texto de Wladimir Garcia, chamado "Ética e Razão Metodológica", pensa a ética, articulada às práticas de ensino, como implicada em um modo de existir, em um modo de atuação no mundo. Já o artigo "Literatura e método: ensino e pesquisa", de Susana Scramim, discute uma arqueologia das leituras da literatura e algumas de suas relações com situações de ensino, as quais também configuram um modo de estar no mundo.
    Na terceira seção da coletânea, chamada "Educação e diversidade: questões étnicas, estéticas e religiosas", destacamos três trabalhos. No primeiro, intitulado "Relações étnico-raciais no Brasil e formação acadêmica – uma experiência de debate", de Joana Célia dos Passos, José Nilton de Almeida e Vânia Beatriz Monteiro da Silva, são as dimensões étnico-raciais que ocupam a centralidade da reflexão sobre a formação docente. O segundo texto, "A dimensão estética na formação do professor de educação infantil", de Luciana Esmeralda Ostetto, Vânia Broering e Eloisa Helena Teixeira Fortkamp, são as dimensões estéticas da educação que ocupam um papel relevante na tessitura argumentativa sobre a formação. Já no texto de Cristiana Tramonte, "Educação ambiental e espiritualidade: a relação ensino-aprendizagem nas religiões afro-brasileiras", são as dimensões da religiosidade que adquirem centralidade nos processos educativos sob o escrutínio da pesquisadora.
    Esperamos que essa coletânea deslize por entre seus dedos, caro/a leitor/a, interrompendo algumas de suas cristalizadas certezas, permitindo-o/a incorrer pelas multiplicidades impensadas da construção de outras tantas educações em diferentes campos culturais.
    Uma ótima leitura!

    Organizador/as,
    Outono de 2009

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